Uma aventura subaquática que quase todo mundo pode fazer hoje em dia é o mergulho recreativo.
É um lazer que alcança milhares de pessoas no mundo todo, dando a elas a oportunidade de conhecer de perto os ambientes aquáticos, sejam de água doce, como lagos e rios, ou de água salgada, como os mares e os oceanos.
Milhares de pessoas no mundo todo praticam o mergulho recreativo.
O ambiente aquático é muito diferente do ambiente terrestre a que estamos acostumados e, por isso, é preciso usar vários equipamentos para visitá-lo de forma segura e confortável.
Existe um bocado de aventura no mergulho e também muita física envolvida, então, vale a pena dedicar uma série de textos ao tema.
Para começar, vamos falar da primeira coisa que precisamos conseguir para mergulhar: afundar.
Afundar ou boiar depende da relação entre a densidade do corpo e a densidade do que está em volta do corpo – no caso, a água.
Se o corpo for mais denso que a água, ele afunda.
Mas se for menos denso que a água, o corpo boia.
O gelo e uma rolha de cortiça são menos densos que a água líquida e por isso boiam quando colocados dentro dela.
Já uma pedra é muito mais densa que a água e, portanto, afunda.
Assim como ocorre na água, a densidade do ar também é importante.
Um balão boia – ou seja, sobe – no ar porque dentro dele há ar quente, que é menos denso que o ar frio que está do lado de fora do balão.
Tão menos denso que o peso da cestinha, do equipamento e do balonista nem atrapalham.
Para ser mais denso que a água, um corpo tem que pesar mais do que se aquele mesmo espaço que ele ocupa fosse todo preenchido com o líquido.
As pessoas conseguem boiar na água porque, embora algumas partes do nosso corpo – os ossos, por exemplo – sejam um pouco mais densas que a água, outras partes, como as gorduras, são menos densas.
Há, ainda, várias partes do corpo que contêm ar ou gases, sendo muito leves – entre elas estão os pulmões, o estômago, os intestinos e os seios da face.
Isso faz com que, em média, o nosso corpo seja um pouco mais leve do que o mesmo espaço ocupado todo por água.
Isso nos dá algumas possibilidades para afundar e conseguir ver o fundo do oceano.
Em primeiro lugar, podemos tentar soltar o máximo de ar dos pulmões, aumentando a densidade média do corpo, que afundará.
O problema disso é que a gente não vai aguentar ficar tempo algum debaixo d’água sem ar nos pulmões, então não resolve muito.
Soltar todo o ar dos pulmões nos faz afundar, mas, sem ar, não ficaremos tempo algum embaixo d’água.
Outro jeito seria prender a respiração e, com os pulmões cheios de ar, fazer força com os pés e as mãos para nadar para baixo, mesmo que nossa densidade menor nos puxe para cima.
O problema é que, assim que pararmos de fazer força para baixo, a tendência será voltarmos para cima, para a superfície da água.
Então, a melhor maneira de resolver o problema de afundar é mesmo aumentar a nossa densidade média e isso pode ser feito segurando um objeto pesado para que sejamos mais densos do que a água – de preferência, só um pouco mais, para que a gente possa voltar para a superfície apenas nadando e fazendo um pouco de força.
Agora, o problema é que ficará cansativo ficar na superfície, a menos que a gente se livre do objeto pesado.
Mas aí, se quisermos afundar de novo, voltamos a ter a mesma dificuldade inicial.
E agora?
No mergulho recreativo, esse problema é resolvido de forma inteligente com o uso de dois equipamentos: o cinto de lastro e o colete equilibrador.
O cinto de lastro é um cinto contendo alguns pesos de chumbo que fazem com que a densidade média do mergulhador fique maior do que a da água, pois o chumbo é bastante denso.
O cinto de lastro contém alguns pesos de chumbo que fazem com que a densidade média do mergulhador fique maior do que a da água.
Enquanto o cinto nos puxa para baixo, essa tendência pode ser contida ou compensada por um colete que podemos inflar com ar durante o mergulho: o colete equilibrador.
Como o ar é muito leve, sua presença no equipamento diminui nossa densidade média e nos faz ir para cima.
É o equilíbrio entre a tendência a afundar do cinto de lastro e a tendência a boiar do colete equilibrador que permite que o mergulhador experiente fique estável a uma dada profundidade.
O colete equilibrador serve para compensar a tendência que o cinto de lastro tem de nos puxar para baixo.
Mas, ainda assim, chega uma hora em que o ar dos pulmões acaba e precisamos subir para respirar.
O mesmo acontece com baleias e tartarugas, só que a gente consome o nosso ar bem mais rápido que estes animais.
E se quiséssemos ficar muito mais tempo debaixo d’água, sem ter que ficar voltando à superfície para respirar, como fazer?
Descubra na coluna do próximo mês!